quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Fernando Pessoa - Viajar! Perder países

Viajar! Perde países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver e ver somente!

Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!


Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de o meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.

Fernando Pessoa- Tenho tanto sentimento

Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isto é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos os que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
Qual porém é verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que te, que pensar.

Fernando Pessoa- Tudo o que faço ou medito

Tudo o que faço ou medito
Fica sempre na metade
Querendo, quero o infinito
Fazendo, nada é verdade.

Que nojo de mim me fica
Ao olhar para o que eu faço!
Minha alma é lúcida e rica,
E eu sou um mar de sargaço

Um mar onde bóiam lentos
Fragmentos de um mar de além...
Vontades ou pensamentos?
Não sei e sei-o bem

Fernando Pessoa - Entre o sono e o sonho

Entre o sono e o sonho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho,
Corre um rio sem fim.

Passou por  margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem

Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito,
Se desperto, passou.

E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre
Esse rio sem fim

Fernando Pessoa- O que me doi

O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão...

São as formas sem forma
Que passam sem que a dor
As possa conhecer
Ou as sonhar o amor.

São como se a tristeza
Fosse árvore e, uma a uma,
Caíssem suas folhas
Entre o vestígio e a bruma.

Fernando Pessoa - Contemplo o lago mudo

Contemplo o lago mudo
Que uma brisa estremece.
Não sei se penso em tudo
Ou se tudo me esquece.

O lago nada me diz,
Não sinto a brisa mexê-lo.
Não sei se sou feliz
Nem se desejo sê-lo.

Trémulos vincos risonhos
Na água adormecida.
Porque fiz eu dos meus sonhos
A minha única vida?

Fernando Pessoa - Ó sino da minha aldeia

Ó sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma.

E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.

Por mais que me tanjas perto
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho,
Soas-me na alma distante.

A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.
terça-feira, 19 de novembro de 2013

I can't love you

Doctor: how are you feeling ? 
Me: I’m feeling strangely normal.. I haven’t got born to be normal
Doctor: why are you saying this?
Me: because my world is completly full of trouble … I’m always the opposite . Nobody cares , Nobody gets hurt , and nobody gets used to nobody…
In your world, fool people like you, trust they hearts to someone and then, it starts bleeding … It’s like a cursed circle